Web completa 28 anos e sofre crise de identidade, ou melhor, de notícias falsas

A Internet completou 28 anos em 12/03/2017 e seu criador, o físico britânico Tim Berners-Lee disponibilizou uma carta aberta (em inglês, francês, espanhol, português e árabe) em que solicita ajuda contra a ameaça à liberdade de expressão, com a disseminação de notícias falsas (fake news) pela Web. “Boa parte das pessoas acessa informações na web pelas mídias sociais e por mecanismos de busca. Esses sites ganham dinheiro a cada clique que damos nos links que eles nos mostram. E escolhem o que irão nos mostrar com base em algoritmos que aprendem com os nossos dados pessoais – que estão constantemente colhendo. O resultado é que esses sites nos mostram conteúdo em que acreditam que nós vamos querer clicar – o que significa desinformação ou “notícias falsas”.

Aos poucos, pode ser criada uma ‘bolha’ que confirma as preferências de cada internauta. Hoje, muitos websites proporcionam conteúdo gratuito em troca das informações pessoais. Isso se torna possível, assim que aceitamos os termos de uso que praticamente ninguém termina de ler, por serem muito extensos.

Infelizmente, além da perda de controle dos dados pessoais e da facilidade de difundir desinformações pela Web, outro aspecto preocupante é a falta de transparência na propaganda política online, revela Bernes-Lee.

Conteúdo virou sinônimo para engajamento online, mas é interessante lembrar que nem todo conteúdo foi apurado, verificado ou checado por um profissional, como um jornalista. E o que aparentemente é uma notícia, na realidade pode ser uma propaganda camuflada.

Pensamento crítico

Uma pesquisa da Universidade de Stanford, divulgada no final de 2016, realizada com 7.804 estudantes norte-americanos dos ensinos fundamental, médio e superior, durante 18 meses, revela que os jovens apesar de serem nativos digitais e dominarem as modernas TICs (tecnologias de informação e comunicação) são inábeis para diferenciar uma notícia produzida por fontes confiáveis, daquelas que são falsas ou mesmo anúncios.

Num dos testes para o estudo, conduzido por Sam Wineburg, foi solicitado aos estudantes analisarem uma publicação que trazia a foto de flores supostamente modificadas pela radiação da usina nuclear de Fukushima, logo após o tsunami de 2011. Não havia indício de que a imagem havia sido feita nas proximidades da usina ou mesmo que as flores tinham sido alteradas pela radiação. Mesmo assim, 40% dos estudantes acreditaram na informação.

A Web não necessariamente precisa ser a ‘terra de ninguém’ aonde todas as informações podem ser ‘confirmadas’ ou ‘rechaçadas’, dependendo do gosto ou do interesse de cada um. Hoje, todos somos receptores e também transmissores de informações por meio da Internet.

Desejo, então, que possamos nos educar e também as novas gerações a cultivarem o pensamento crítico, com plenas condições para avaliarem as informações que chegam a cada instante pela Internet ou por outras fontes. E que os jovens bem informados também possam ser multiplicadores em seus lares e em suas redes de contato.

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