Tecnologia na educação: instituições analógicas x alunos digitais

Redes sociais, tablet, smartphone, TV digital, mensagens instantâneas, aplicativos. Esses e outra infinidade de aparatos já fazem parte da rotina de grande parte das pessoas e têm transformado muitas áreas. Na parte do ensino não poderia ser diferente e a tecnologia na educação tem causado mudanças significativas. Ela está impactando o ensino dentro e fora da sala de aula. Bem como o processo de aprendizagem, o papel do professor e a possibilidade de experiências em novos formatos.

A automação chega à nossa rotina e o futuro do trabalho tem sido debatido para rever qualificações e habilidades. E se casa inteligente já é realidade, por que as instituições de ensino não se adaptariam a esse novo momento?

As gerações que já nasceram na era digital desconhecem uma forma diferente de se comunicar, de consumir conteúdo. Isso reflete também na forma que recebem esse conteúdo e como apre(e)ndem na escola.

A tecnologia na educação na antiguidade e o modelo atual

Na Grécia antiga, as grandes praças das cidades eram os principais pontos de encontro entre as pessoas. Esses espaços eram dedicados para diversas atividades, entre elas a troca de conhecimento e o ensino.

No Brasil, o sistema de educação é centenário e a metodologia de educação tradicional não é mais eficaz. O formato com professores em frente à sala de aula apenas (re)passando o mesmo conteúdo não é eficiente. Essa metodologia de ensino é pouco flexível e baseada na memorização das informações (decorar, não interpretar). Dentre outras coisas, não leva em consideração os diferentes níveis de compreensão entre os estudantes. E já que o conceito da palavra tecnologia é o estudo sistemático sobre técnicas, elas também podem (e devem) se atualizar.

Caso tenha mais de 30 anos, provavelmente uma de suas lembranças da época da escola é o cheiro de álcool dos mimeógrafos. Aos jovens que não conhecem, deem um Google! Depois veio o xerox, as digitalizações etc. O giz deu lugar à caneta/pincel, salvando alunos e professores do terrível pó na sala de aula. Daí por diante, as mudanças foram e são muitas.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC) os polos de ensino a distância cresceram 133%. Isso após um ano da publicação de um decreto que regulamenta os cursos superiores na modalidade EAD. Especialistas se preocupam com a queda na qualidade e com a fiscalização; no entanto, é inegável que essa modalidade facilita o acesso ao ensino superior. Ainda mais considerando, por exemplo, o tempo de deslocamento nas grandes cidades ou até mesmo as dimensões continentais do nosso país.

Nas plataformas digitais, o conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar e momento, por alunos e professores que buscam capacitação.

Estudo da MindMiners sobre o futuro da educação

Recentemente a MindMiners, empresa de tecnologia referência em pesquisa digital, fez o estudo “O futuro da educação: como o sistema de educação atual pode ser aprimorado?”. Nele, aborda a percepção da educação no Brasil e a sua relação com o mercado de trabalho.

78% dos entrevistados consideram que a educação no Brasil não prepara bem para o mercado de trabalho. Entre as disciplinas que deveriam ser incluídas no currículo escolar, as três principais foram: 65% administração financeira, 53% economia e 50% sistemas de informação/programação.

Na questão sobre os alunos terem mais oportunidades de aprender em diferentes locais, contextos e momentos, 80% dos entrevistados concordaram com a afirmação. Além disso, 73% deles acreditam que os estudantes devem ser avaliados pelo processo de aprendizado, e não necessariamente pelo resultado de uma prova.

A conclusão é que os entrevistados não declararam de forma explícita insatisfação com a educação que receberam. No entanto, sinalizaram diversas falhas no atual sistema. Entre elas está a falta de interesse dos alunos, infraestrutura ruim, processos burocráticos e investimentos públicos insuficientes.

O estudo mostra ainda que os brasileiros dizem estar preparados para um novo modelo de ensino. Com foco maior no desenvolvimento de habilidades analíticas e menos na memorização de dados.

A tecnologia na educação e a comunicação

Não é novidade que o ato de comunicar-se é fundamental tanto para os seres humanos, quanto aos animais. E é essencial que ele aconteça de forma eficiente, para que os envolvidos se entendam.

Como não somos especialistas em educação, vale uma comparação com os conceitos da nossa área. Uma das teorias de comunicação mais conhecidas fala que para que ato comunicacional ocorra, diversos elementos são necessários. São eles: o emissor, o receptor, o código, o canal, a mensagem e o contexto.

Explicando de forma breve: o emissor comunica/emite uma determinada mensagem, que chega ao receptor. A mensagem significa o próprio texto transmitido, podendo ser verbal ou não. Ao local em que a mensagem é veiculada, chamamos de canal – pode ser, por exemplo, TV, rádio, jornal ou internet. Já a mensagem está relacionada a um contexto e a tudo aquilo que está relacionado a ela. Por fim, o código são elementos comuns ao emissor e ao receptor, como a língua portuguesa. Resumindo, a comunicação é efetivada a partir do momento em que o receptor reconhece e entende a mensagem transmitida pelo emissor.

Novas formas de comunicação também na sala de aula

Com o advento das novas tecnologias, o fluxo ‘emissor -> mensagem -> receptor’, ganhou novos “ingredientes”. O receptor não apenas recebe a informação, como interfere nela e a repassa. Ou seja, torna-se também um emissor. Desta forma, os interlocutores passam a interagir entre si, havendo uma comunicação de mão dupla. Pensando em termos de jornalismo, antigamente, os jornalistas escreviam a notícia nos jornais impressos e o leitor a recebia. Atualmente, esse leitor além de receber a mensagem, também pode ser um emissor escrevendo em seu blog, suas redes sociais ou até mesmo interage com o jornalista enviando mensagens.

Assim como acontece na comunicação, o ensino deve buscar cada vez mais tecnologia e ferramentas conforme seu contexto social e tempo, englobando possibilidades de inovação. E dentro dessa analogia, os professores se transformam em facilitadores de aprendizagem (comunicação).

Como usar a tecnologia na educação tendo profissionais e instituições analógicas?

Este post não tem a intenção, de forma nenhuma, de apontar que essa atividade será substituída ou de desqualificar essa atividade tão nobre que é a do professor, muito pelo contrário. Mas, infelizmente, a carreira tem atraído cada vez menos os jovens, como mostra o estudo “Profissão professor na América Latina: Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?”. Elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), segundo o levantamento, dos alunos do ensino médio no Brasil, apenas 5% têm a pretensão de seguir a carreira de professor.

Justamente por isso, um dos grandes pontos é que a tecnologia na educação pode ajudar em diversos aspectos. Entre eles, nas atividades diárias que demandam tempo desses profissionais, como fazer chamada, elaborar as aulas, dar notas etc. Essas e outras ações podem ser facilitadas com a aplicação das novas e modernas tecnologias, além da disponibilidade de todo esse aparato de forma mais inteligente, com o objetivo de descomplicar a sua rotina.

Apocalípticos ou integrados?

Certamente não basta ter uma série de aparelhos conectados para revolucionar o ensino. É preciso investimento na área, boa infraestrutura, profissionais capacitados e uso da metodologia adequada, inclusive considerando os diferentes contextos. É um conjunto de fatores que exercem influência.

Talvez não seja uma tarefa fácil. E como tudo que é novo, exige uma pitada de disposição para analisar o cenário e se adequar às mudanças. Mas não se trata de ser a favor ou contra a tecnologia. O ideal é entender em que e como ela pode ajudar, para assim reduzir as possibilidades de ruídos (na comunicação). Desta forma, passar a utilizar a tecnologia na educação de forma a melhorar o ensino e o aprendizado. Com isso, todos saem ganhando!

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