Profissional do futuro: será o fim do seu trabalho?

Por acaso você já parou para pensar se a função que desempenha hoje vai existir daqui alguns anos? Ou já se considera um profissional do futuro? Caso ainda não tenha refletido a respeito, o contexto atual e alguns dados servem para revermos conceitos de trabalho, incluindo atividades, competências, valores e necessidades do mercado.

Em janeiro deste ano, o Fórum Econômico Mundial realizado em Davos (Suíça), debateu sobre o futuro do trabalho. O tema chama atenção, afinal, são mudanças disruptivas nos modelos de negócios que terão um impacto profundo no cenário profissional nos próximos anos. Isso envolve a criação de postos de trabalho, deslocamento de empregos, maior produtividade da mão-de-obra e até a ampliação das habilidades. Em muitos países e setores, as ocupações mais procuradas não existiam há cinco ou dez anos atrás e o ritmo da mudança ainda deve aumentar. Pesquisas estimam que 65% das crianças na escola atualmente vão trabalhar em empregos que até o momento não foram criados.

Ainda em 2016, o Fórum também abordou o mesmo tema, e em seu relatório, afirmou que 35% das habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar até 2020. Outra previsão da consultoria McKinsey, estima que 800 milhões de empregos poderão ser eliminados até 2030.

Profissional do futuro: exemplos da evolução do trabalho

Assim como indústrias inteiras se ajustam, a maioria das ocupações está passando por grandes transformações. Enquanto alguns trabalhos são ameaçados por redundância e outros crescem rapidamente, os empregos existentes também
passam por transformações em termos de habilidades.

No mundo todo, cada vez mais as empresas estão automatizando seus processos, conhecido por RPA (Robotic Process Automation). Um software desses possibilita automatizar tarefas repetitivas e frequente dos trabalhos, retirando a parte robótica do trabalho humano – a parte manual e sem criatividade que um computador pode fazer. Ao mesmo tempo, também reduz as chances de cometer erros. Tudo isso, faz com o que o profissional fique livre para desempenhar atividades mais analíticas, “pensantes” e adiciona valor ao trabalho humano.

Em visita recente ao Brasil, o vice presidente da Automation Anywherere (empresa líder mundial em RPA) Anubhav Saxena, exemplificou que em 1900, 96% dos empregados nos Estados Unidos eram da agricultura. Já em 2000, eram apenas 4%, no entanto, produzindo muito mais por causa da automação. E o mesmo aconteceu em outras áreas, como automóveis, têxteis, etc. Considerando que 60% dos trabalhadores no mundo fazem a mesma coisa sempre, para ele a tendência é o trabalho nos escritórios – como conhecemos hoje – também serem automatizados. E mesmo diante desses fatores, o executivo diz que nos mais de mil clientes para os quais eles prestam serviço pelo mundo, nenhum emprego foi perdido. Os profissionais normalmente são redirecionados para desempenhar novas funções, focando em ganhos maiores de eficiência e produtividade.

O profissional do futuro na área da comunicação

Na área da comunicação as mudanças também são muito notórias. Os meios de comunicação evoluíram ao longo do tempo, tornando o processo cada vez mais rápido e a linguagem foi se aperfeiçoando a cada um deles. Nos anos 1950, com a chegada da TV no Brasil, por exemplo, muita gente apostava que o rádio – principal meio de comunicação de massa na época – fosse acabar. O século já é outro e o rádio continua existindo, mas é inegável a quantidade de transformações pelas quais passou e como continua a se adaptar às novidades tecnológicas. Em meio à revolução tecnológica e mídias sociais, o veículo de comunicação que era exclusivamente ligado ao som, agora também utiliza recursos em vídeo, fotos, tem um site e perfil nas redes sociais, interage com o público etc. Com isso, o profissional da comunicação também está se tornando cada vez mais  multidisciplinar e continua se renovando.

A comunicação é algo inerente, uma necessidade básica do ser humano. Se analisarmos a evolução das formas de comunicação, temos desde os sinais de fumaça e pinturas rupestres até os atuais – e indispensáveis –  novos aparatos tecnológicos como os  notebooks/ tablets, smartphones e afins. A própria geração Alpha que nasceu depois de 2010, em meio às efervescência das novas tecnologias e, portanto, sentindo cada vez mais as mudanças nos padrões do trabalho, desenvolveu diferentes formas de se comunicar e de interagir com outras pessoas, empresas e marcas. Os influenciadores digitais estão aí para comprovar isso.

Considerações

Estamos na Quarta Revolução tecnológica e ela não precisa se tornar uma corrida entre humanos e máquinas/novas tecnologias. Ela pode ser uma oportunidade para o profissional reconhecer – e redescobrir – seu potencial, analisar seu perfil e competências. O emprego novo, que vai substituir o antigo, exige uma qualificação diferente daquela anterior, talvez grande parte da nossa população ainda não esteja preparada.

O debate sobre essas transformações muitas vezes é polarizado. Para estarmos preparados para nos tornar o profissional do futuro, precisamos entender o que está acontecendo agora e o caminho que tem sido trilhado. A realidade é que não podemos apenas sentar e esperar que os acontecimentos se desenrolem. A mudança iminente pode ser promissora e todos os padrões envolvidos também representam grandes desafios, exigem adaptação proativa por parte das empresas, governos e dos próprios profissionais. Estejamos abertos às mudanças para nos tornar o profissional do futuro. E o futuro já começou!

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