A tecnologia transformou e continua transformando o modo como as pessoas se relacionam e isso afeta diretamente o consumo por notícias. As mídias sociais mudaram completamente nossos hábitos na busca pela informação. O papel tem cada dia mais saído de cena para dar espaço às transmissões ao vivo do Facebook, comentários com no máximo 140 caracteres no Twitter, fotos no Instagram e mensagens trocadas pelo WhatsApp. E mais, os cidadãos passaram a ter o poder de informar.

Os smartphones, acompanhados por redes de conexão cada vez mais velozes, proporcionaram às pessoas produzir e veicular suas próprias notícias, tornarem-se formadores de opinião e influenciar muita gente. Ao mesmo tempo que essa realidade democratizou a produção da informação, ela fez com que muitas dessas notícias fossem superficiais, distorcidas e sem credibilidade.

Os veículos de comunicação perceberam essa mudança de hábito e passaram a investir em suas mídias sociais, tornando delas mais um canal de comunicação com a sociedade. A corrida contra o tempo – que sempre foi e será um drama vivido nas redações – aumentou ainda mais com o jornalismo online. A busca por ser o primeiro a publicar a notícia e atrair mais cliques, escancarou a crise de identidade jornalística que não sabe qual a sua prioridade: ser o primeiro a dar a notícia ou dá-la com precisão.

A verdade é que a crise vai muito além do jornalismo. Ela reflete apenas uma inversão de valores que presenciamos diariamente em nossa sociedade. As pessoas se manifestam radicalmente contra uma situação sobre a qual sequer tiraram uma hora de seu dia para analisar cuidadosamente. Parece que a velocidade para se manifestar nas redes sociais virou prioridade se comparado ao fato de que seu post/comentário pode denegrir a imagem de alguém. O papel, então, do jornalismo é reforçar seu posicionamento pela busca da verdade, ouvir todos os lados da história, informar com isenção e transparência. As mídias sociais são sim ferramentas importantes na construção de uma sociedade justa e igualitária, mas não a tome como única e principal fonte pela qual você se mantem informado. Ao meu ver, o jornalismo tradicional se complementa através das mídias sociais e vice-versa.

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