Protagonistas do ano: o futebol feminino ascende em campo

O futebol vai além do jogo dentro de campo. Trata-se de um espetáculo que reúne uma nação para torcer por seu país. A Copa do Mundo de futebol sempre se provou uma mistura de sensações ao torcedor. Vibrando a cada segundo, chorando e até dando palpites, mesmo estando do outro lado da televisão. No Brasil, é visível que futebol, e os eventos esportivos, são um marco cultural. Mas, não é essa a percepção quando se fala de futebol feminino.

Pouco se sabia ou se via sobre a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Quando praticado por mulheres, o futebol parece não possuir o mesmo impacto (e espaço) nos meios comunicativos. Se, no futebol masculino, o primeiro aparecimento no Brasil foi no fim do século 19, o futebol feminino foi proibido até 1979.

O futebol feminino na mídia

O futebol feminino teve registros na mídia, pela primeira vez, durante a década de 1970. Mesmo assim, esses registros podem ser considerados tímidos e com informações parciais. As notícias eram, visivelmente, marcadas por uma incredulidade quanto ao futebol das mulheres. A reportagem, publicada pelo Jornal do Brasil, tinha como chamada o título “O futebol depois da louça lavada”.

É claro como o futebol feminino era menosprezado pela mídia. Na década de 1990, todas as notícias relacionadas ao esporte falavam sobre o padrão estético superar as técnicas das jogadoras. Os destaques relacionando sempre a um ideal de beleza, ao invés de suas performances, inibia ainda mais a prática do esporte pelas mulheres.

Futebol: um espaço de empoderamento

Não é difícil perceber como a prática do futebol é rapidamente associada a um espaço de não inclusão feminina. Até hoje mulheres e futebol foram estabelecidos como lados opostos e não complementares. Mas uma transformação, mesmo que ainda lenta, nasceu com a Copa feminina deste ano. De batom vermelho, a craque brasileira Marta chamou a atenção do mundo para uma causa que abraçou.

Na comemoração do gol de pênalti contra a Austrália, no segundo jogo da seleção pela Copa, apontou para as chuteiras personalizadas com um símbolo pela igualdade de gênero no esporte. Seis vezes eleita como a melhor jogadora do mundo, a brasileira demonstra um engajamento público, como nunca visto antes, para deixar um legado para as mulheres no futebol. Além disso, atualmente é a maior artilheira quando se trata de Copas do Mundo. A jogadora superou Miroslav Klose ao completar 17 gols no Mundial da França.

O destaque promovido pelas marcas

Mais de 850 vídeos sobre futebol feminino foram divulgados pelas marcas com o início do campeonato. Três deles ganharam mais destaque nas redes sociais. Isso porque os vídeos em questão tratavam sobre a igualdade de gênero em todas as arenas. Marcas renomadas como a Nike, Qatar Airways e Visa produziram conteúdos que homenageiam e estimulam uma conversa global sobre igualdade feminina em todas as arenas, não apenas no futebol.

Demorou, e muito, mas o futebol feminino está começando a ganhar a visibilidade que merece. Se na última edição da Copa do Mundo Feminina, em 2015, pouco se ouviu sobre as transmissões dos jogos, pela primeira vez na história a Rede Globo transmitiu todos os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina de Futebol.

O Brasil descobriu o futebol feminino. A Copa do Mundo de Futebol Feminino está rompendo preconceitos e comprovando a sua potencialidade comercial. Mesmo com a derrota para a França e a desclassificação, há grandes motivos para acreditar que o futebol feminino no Brasil, este ano, recebeu o maior impulso de sua história. Mas a luta não termina aqui. Como disse Marta em entrevista, após sua última partida no campeonato: “É isso que peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim”.

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