O Brasil parou e a sua sugestão de pauta caiu

O processo de produção de uma notícia – seja em um veículo impresso, online, televisão ou rádio – envolve diversas etapas. Elas antecedem sua publicação ou exibição. Grande parte das matérias que lemos, ouvimos ou assistimos na mídia surge a partir das empresas. Estas, por meio de suas equipes e agências de comunicação, desenvolvem conteúdos que costumamos chamar de sugestão de pauta. É através dela que os assessores de imprensa fazem contato com os jornalistas e sugerem trabalhar determinado assunto. Os jornalistas, então, avaliam a relevância da sugestão de pauta e, em caso positivo, decidem produzir a matéria. No caso de um jornal ou revista, após a aceitação, o jornalista realiza uma entrevista com o porta-voz da empresa que enviou a sugestão de pauta. Posteriormente, ele escreve a matéria, o editor revisa e, em seguida, a mesma é publicada.

Todo este processo pode acontecer em um único dia, ou demorar meses. Importante ressaltar: para o jornalista receber a sugestão de pauta pelo assessor de imprensa, este trabalhou e alinhou o material com seu cliente muito antes de entrar em contato com o veículo de comunicação. Portanto, o espaço de tempo que vai desde o início da criação de uma notícia em uma empresa até a publicação por um veículo de comunicação é relativamente longo.

Mas, por que estou dizendo isso?

Mesmo se você (assessor de imprensa) realizar a produção de uma notícia da melhor maneira possível e o jornalista “comprar” a sua sugestão de pauta, seu sucesso não é garantido. Ele ainda depende daquilo que chamamos de factual. O factual não avisa que irá acontecer e, muito menos, pede licença. Simplesmente acontece e varre todo o planejamento que você havia realizado em termos de comunicação.

O impacto da greve dos caminhoneiros na sua sugestão de pauta

Exemplo disso é o que vivenciamos na semana passada com a greve dos caminhoneiros e consequente crise no abastecimento de combustível em todo o país. Desde que se iniciou e a sociedade passou a ser afetada, toda a imprensa se concentrou em repercutir as diferentes faces do assunto. Televisão e rádio passaram praticamente 24 horas por dia informando a respeito da greve. O caso ganhou capas em jornais e revistas e os portais de notícia realizaram cobertura em tempo real. Agora, imagine se você (assessor de imprensa) estivesse aguardando a publicação de uma matéria, para a qual seu cliente concedeu entrevista? Com certeza, essa matéria caiu e não há garantia alguma de que o jornalista irá retomar a sua sugestão de pauta e publicar a reportagem quando tudo voltar à normalidade.

Bom, a primeira coisa a fazer é ser transparente com o cliente. Explicar a ele como funciona a imprensa, quais são os critérios de noticiabilidade e que o factual sempre acaba prevalecendo. Vale reforçar também que aquele realmente não era o momento para insistir na sugestão de pauta. Isto porque toda a imprensa estava focada na greve dos caminhoneiros e seus desdobramentos. Caso você insista na sugestão de pauta em momento como este, pode gerar um estresse com o jornalista e dificultar a publicação daquela matéria que você estava aguardando.

O que fazer, então?

Aguarde alguns dias. Monitore a imprensa. Veja como os canais que lhe interessam seguem realizando a cobertura da crise. Eles permanecem consumindo 100% do noticiário? Ou diminuíram e tem permitido espaço para outras pautas? Quando você perceber que a imprensa reduziu a abordagem com relação à crise é o momento de retomar contato com o jornalista. Lembre-o daquela matéria que você tanto aguarda. É possível até mesmo que o jornalista queira ampliar a abordagem em virtude da crise dos combustíveis. Se isso acontecer e seu cliente se “encaixar” na ampliação da pauta, se coloque à disposição do jornalista. Colabore e ofereça seu porta-voz novamente como fonte para entrevista. Com certeza, seu relacionamento com o jornalista ficará ainda melhor. Isso irá facilitar a negociação de futuras sugestões de pauta.

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