A Copa do Mundo dos fenômenos midiáticos

Bem amigos do nosso blog. A França se sagrou campeã com atuações incontestáveis de seu meio campo e ataque, mas a reflexão aqui sobre a Copa do Mundo gira em torno de uma espécie de retrospectiva. Quem acompanhou minimamente esta Copa deve ter reparado uma diferença latente que vem ocorrendo em comparação com os mundiais de outrora: a influência da internet e do universo das redes sociais no futebol. Para resumir em uma só expressão, o surgimento dos “fenômenos midiáticos”.

Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi são espécies de influenciadores midiáticos. Faz sentido, quando os consideramos como os três maiores jogadores de futebol da atualidade. O patamar é tão elevado que eles praticamente ultrapassam a barreira de jogadores e atingem o status de pop stars, ainda mais na tradução para o português – são estrelas com gigantesco apelo popular. Mas estão longe de serem os únicos neste rol de “midiáticos”. E também não se encaixam na lógica dos tempos modernos, por conta de dois fatores majoritários.

  • São pessoas públicas mundialmente conhecidas;
  • Têm uma carreira que os colocam em alta na mídia por um tempo prolongado.

Nos tempos atuais, desconhecidos podem alcançar o patamar de fenômenos midiáticos. Vai dizer que você não se recorda dos irmãos cantando “Para nossa alegria“? Ou da Luiza, que estava no Canadá? E quanto ao “Rei do Camarote“? São pessoas antes comuns, que se transformaram em celebridades da noite para o dia. O instantâneo faz parte deste contexto, o que torna pessoas como Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi os pontos fora da curva, exceções.

Os fenômenos midiáticos e o efêmero. Torcedor filma jogo de arquibancada do estádio.

Fenômenos midiáticos – O lado negativo

A diferença que marcou a Copa do Mundo de 2018 não esteve somente dentro do campo. Em terras russas, onde o futebol ficou marcado pela aplicação tática, força física e pelos gols partindo de bola parada, dentre os tais fenômenos midiáticos, um caso ficou mundialmente famoso. Pelo lado negativo, infelizmente. Era 16 de junho, apenas o terceiro dia do torneio, quando um vídeo começou a viralizar nas redes sociais.

Antes mesmo da estreia da seleção canarinha, um grupo de torcedores brasileiros se aproveitou do desconhecimento de uma mulher russa sobre o idioma português e a fez cantar uma musiquinha sobre o seu próprio órgão sexual. No assédio publicado pelos próprios torcedores, o Ministério do Interior da Rússia decidiu inclusive abrir um inquérito formal contra os brasileiros.

O vídeo viralizou. Com pessoas totalmente desconhecidas, a milhares de quilômetros de sua terra natal. Por quê? Apesar da distância geográfica e das fronteiras, a internet e as redes sociais vieram exatamente com o objetivo no sentido inverso. A inexistência de fronteiras no mundo digital faz com que hoje todos sejamos mídia. E expectadores ao mesmo tempo.

Com apenas um celular em mãos, temos uma ferramenta capaz de transmitir o que ocorre em tempo real ao nosso redor para o mundo inteiro. Foi exatamente o caso. O vídeo publicado nas redes sociais de meros desconhecidos não foi somente assistido por seus círculos sociais. Muito longe disso. Em poucas horas e após incontáveis compartilhamentos, milhões de pessoas já haviam assistido, criticavam a ação dos torcedores brasileiros e pediam algum tipo de punição a eles. Você deve tomar muito cuidado com a sua reputação e com a imagem de sua empresa. Anos são levados para construir uma marca, enquanto segundos podem arruiná-la.

Fenômenos midiáticos – Quando você já é famoso…

No entanto, estes estiveram longe de ser os únicos brasileiros a entrar no rol de fenômenos midiáticos e entrar nos holofotes. Neymar, craque da seleção pentacampeã, sonhava em ser o melhor jogador do torneio. Ainda sonha, aliás. O camisa 10 estava fadado a ser o nome mais comentado do mundial, mas definitivamente não esperava que fosse pelo motivo que o fez tão mencionado.

O excesso de quedas e reviravoltas no gramado fizeram com que Neymar fosse criticado globalmente. No entanto, um certo plot twist. A crítica foi completamente transformada. Entrou no tom de piada, especialmente após a eliminação do Brasil para a Bélgica, nas quartas de final. Os movimentos espalhafatosos do craque no chão renderam inúmeros memes no mundo inteiro, como pode ser visto no vídeo abaixo.

www.youtube.com/watch?v=D1tt7wtrnng

Voltando de lesão, o jogador fez um grande esforço para poder participar de todos os jogos. Não estava 100% recuperado na estreia do Brasil, claramente. Ele sempre utilizou deste recurso, por ter um porte físico menor que o de muitos adversários. Cair sempre foi uma forma de se proteger e não tomar uma pancada ainda mais forte. Entretanto, e mesmo sofrendo inúmeras faltas ao longo dos jogos, as quedas escandalosas renderam ao jogador o apelido de “cai cai” no mundo todo.

Conclusão

O caso de Neymar é curioso. O jogador por si só é uma mega estrela, diferentemente dos torcedores brasileiros. Não só isso. Suas quedas é que entraram no mesmo patamar dos “fenômenos midiáticos”, e não o craque. Os memes lembram, até certo ponto, a famosa dancinha do “Harlem Shake” ou o desafio do “Balde de Gelo”. Pessoas do mundo inteiro entraram na onda. Mas a onda passou, eventualmente.

Com apenas 26 anos de idade e um talento descomunal, ele tem claras oportunidades de mudar seu próprio destino. E de queda – desculpem pelo trocadilho –, ter seu nome comentado globalmente devido ao seu talento e não pelas tais quedas. Quem sabe na próxima temporada, ao vencer uma Liga dos Campeões como o craque do Paris Saint-German (PSG). Afinal, num mundo onde o efêmero é marcante, a Copa de 2022 ainda está muito longe dos nossos olhos.

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