Como trabalhar conteúdos globais no mercado nacional

Sem dúvida um dos maiores desafios que os profissionais de comunicação corporativa enfrentam é a “tropicalização” de notícias estrangeiras. “Tropicalizar” foi o verbo escolhido para definir o ato de traduzir e adaptar conteúdos internacionais ao nosso contexto e linguagem.

Grande parte dos clientes das agências de relações públicas são multinacionais Americanas, Alemãs, Britânicas, Suecas, Francesas, Chinesas, Japonesas, e etc. Independente das questões multiculturais, o que todas querem no mercado brasileiro é ganhar market share, e o nosso papel como suas agências de comunicação é construir estratégias em conjunto com as demais áreas – vendas, marketing, TI, jurídico – que levarão ao alcance deste objetivo.

Nestas companhias, é normal que as informações “globais” sejam distribuídas nos diversos mercados. O ponto que queremos chegar é conscientizar que não basta traduzir o “press release” original para conseguir espaço na mídia. Além de trazer o conteúdo para a língua local, é necessário relacioná-lo ao nosso mercado – fazer “ganchos” que tornarão a mensagem realmente relevante para a nossa realidade.

Sua empresa lançou um produto destinado ao usuário final? Então, além das especificações do produto, disponibilize imagens, informe também preço e onde pode ser encontrado. Ainda não está disponível? Informe quando estará. Não tem data para ser lançado aqui? Sugiro, então, segurar o release, ou correrá o risco de atiçar o desejo do consumidor e acabar provocando a compra do produto concorrente.

Há uma nova solução para data center que reduz custos de energia e traz retorno do investimento em até 12 meses? Ótimo, mas o público vai receber a informação com certa desconfiança, tipo “conversa de vendedor”. Para não cair nessa, indique clientes locais que já utilizam a solução e podem compartilhar a experiência. Sua mensagem terá maior credibilidade.

O CEO da sua companhia escreveu um artigo refletindo sobre o Brexit? Pois bem, mesmo ele sendo o CEO, se o texto não tiver conexão com o mercado local ninguém dará bola às reflexões dele.
Sua empresa investiu milhares de Euros para participar de uma feira na Rússia e você quer que o Brasil saiba disso pelos jornais? A menos que seja uma feira muito bizarra, dificilmente haverá espaço para qualquer veiculação. Uma alternativa nesse caso é convidar jornalistas brasileiros para irem, por conta da empresa, ao evento. Mas já fique sabendo que mesmo indo a convite da sua empresa, ele não fará cobertura exclusiva da sua companhia.

Macetes como os exemplificados acima são parte da nossa rotina enquanto profissionais de comunicação. O que infelizmente vemos hoje em dia são empresas inovadoras em muitos aspectos, porém engessadas em suas estratégias de comunicação.

Não há como entregar resultados de PR consistentes apenas replicando notícias que ninguém está interessado em saber.

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