As mídias em um mundo conectado

As novas mídias mudaram a forma de comunicação e relacionamento da sociedade nos âmbitos pessoais, empresariais e até diplomáticos. Isso porque as redes conectadas permitem o acesso rápido à informação, rompendo as barreiras físicas e temporais, como é descrito por Pierre Lévy em “O que é virtual?”.

A partir de 1980, com o surgimento do conceito internet, que a princípio era para ser uma ferramenta de apoio aos EUA durante a Guerra Fria ao descentralizar as informações do país, interligando os computadores em redes e permitindo a troca de informação entre as bases militares dos Estados.

Com o passar do tempo, as universidades começaram a utilizar as redes para trocar informações. A partir disto, ela expandiu para o grande público, houve a criação dos comércios virtuais e, em 2000, o boom da rede, com a quebra de várias empresas que não tinham maturidade para atuar no segmento, ainda pouco explorado.

E é justamente neste período que surgem as mídias sociais, as quais passam a ser consideradas o mais relevante advento em termos de internet até o momento. Há a inserção do conceito de instantaneidade e de informação, mas também de diversão e pertencimento nos grupos criados nestas redes, além da troca de mensagens, fotos, vídeos, áudios e localização. As novas mídias, então, enaltecem a característica social do homem não apenas no âmbito pessoal, mas também impactaram as relações governamentais, econômicas e políticas.

A partir de 2010 – a primeira década das novas mídias, se é que podemos definir desta maneira –, há um importante fato que marca uma nova fase de sua utilização: a Primavera Árabe. Esta foi uma manifestação convocada via Facebook e Twitter que culminou na derrocada de Hosni Mubarah (Egito), Ben Ali (Tunísia) e Muammar al-Kadhafi (Líbia).

Isto evidencia que há a atuação de novos atores no cenário transnacional agora, aquele que rompe as barreiras físicas, não são mais apenas os Estados e as relações interestatais. As redes permitiram a formação de territórios abstratos, com demandas invisíveis e imateriais, segundo a Teoria da Comunicação de Mattelart.

Enquanto há novos meios de comunicação surgindo e conectando as pessoas em diversas partes do mundo, a prática da violência também se reinventa. Para Mary Kaldor, isto se dá após a Guerra Fria, quanto são evidenciadas as questões nacionais e internacionais não reveladas até então.

O Estado, por sua vez, se torna responsável pela securitização, que é o senso de urgência de resposta a uma ameaça existencial. E a securitização se mostra, inclusive, como um dos principais temas a serem debatidos, uma vez que ameaças de diversas naturezas – mesmo as que não derivam do Estado –, podem desestruturar as percepções de segurança e tensionar as relações Estado-sociedade, as quais são rapidamente propagadas com a chegada das mídias sociais.

Esta ampliação do ciberespaço coloca a internet como a espinha dorsal do mundo. O ciberespaço é utilizado por atores estatais e não-estatais visando, principalmente, os fins político-estratégicos e que elucidam novos modos de praticar o terrorismo.

É neste período que surge a ideia de guerra em rede ou guerra precisa, a qual gera choque e paralisia. Esta guerra é derivação da era informacional, a qual se dá por meio de redes conectadas com custos mais baixos e controle midiático dos conflitos.

Diante deste cenário, incidentes cibernéticos ganham força seja pela prática de atos criminosos, espionagem, sabotagem, culminando no terrorismo. As motivações são as mais diversas e propiciadas, principalmente, pelos investimentos em novas tecnologias por parte dos Estados, além do desenvolvimento de tecnologias para defesa e dissuasão internas contra as ameaças cibernéticas.

Foi o que aconteceu com a Turquia, ao ajudar de forma sutil o Estado Islâmico e ser acusada pela Rússia de apoiar uma organização não reconhecida pelo Sistema Internacional. A partir destas acusações, o Estado turco começou a enfrentar uma série de invasões a seus sistemas e consequente roubo de informações sigilosas, o que impactou diretamente em suas operações e gerou sensação de insegurança.

*Este é um resumo do artigo intitulado ‘As mídias nas relações sociais e o ciberataque’, escrito e apresentado por Mariana Alves e Carolina Marques

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